Ventos fortes causam cinco mortes e um desaparecido nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, além de provocar estragos significativos em diversas cidades do Sudeste e Sul do Brasil. As rajadas, que em alguns pontos atingiram 124,9 km/h, resultaram em apagões, interrupção de transportes e quedas de árvores, afetando a rotina de milhões de pessoas.

O que aconteceu

  • Ventos fortes atingiram o Sudeste do Brasil, deixando cinco mortos e um desaparecido em São Paulo e no Rio de Janeiro.
  • As rajadas de vento, que chegaram a 124,9 km/h, causaram interrupção de energia, danos em transportes e quedas de árvores.
  • O fenômeno foi provocado pelo encontro de massas de ar quente e seca com ar frio e úmido, intensificado pela velocidade da frente fria.

As rajadas de vento, embora diferentes de um furacão, exibiram intensidade comparável às categorias mais altas da Escala de Beaufort. Além do Sudeste, o fenômeno também causou impactos no Sul do país, com um tornado no Rio Grande do Sul e destelhamentos em Santa Catarina.

Estágio de alerta e impactos no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, duas pessoas perderam a vida devido ao desabamento de um muro em Santa Teresa, na região central. Em Tarituba, distrito de Angra dos Reis, um pescador segue desaparecido. O Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) registrou 185 ocorrências, incluindo 93 quedas de árvores e cinco desabamentos.

A Secretaria Estadual de Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros ativaram um gabinete de crise para coordenar as ações. O Centro Estadual de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) emitiu um alerta para os efeitos de uma frente fria, o que levou a cidade a entrar no Estágio 2 de alerta devido a rajadas superiores a 100 km/h.

Diversos bairros da capital fluminense ficaram sem energia, e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou desligamentos nas redes de transmissão e distribuição. A Subestação Grajaú foi afetada, e o fornecimento foi restabelecido apenas após horas de interrupção.

O Aeroporto Santos Dumont suspendeu operações por mais de uma hora, resultando em nove voos desviados e sete cancelados. No Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão), quatro voos foram redirecionados. O sistema ferroviário da SuperVia e as linhas 1, 2 e 4 do MetrôRio também tiveram a circulação interrompida, com passageiros relatando ficarem retidos.

O prefeito em exercício do Rio, Eduardo Cavaliere, orientou a população a evitar áreas abertas e marquises devido aos riscos de quedas de árvores e problemas no trânsito e energia em todo o estado.

Quais os efeitos da ventania em São Paulo?

No estado de São Paulo, os ventos atingiram 124,9 km/h e causaram ao menos três mortes. As vítimas foram registradas em Santos, Cesário Lange e São Sebastião, decorrentes de quedas de árvores e naufrágio. A Defesa Civil estadual emitiu um alerta severo para a capital paulista, Grande São Paulo e litoral.

As maiores velocidades foram em Itaporanga e Itaí (124,9 km/h), Taquarituba (117 km/h), Arandu (113,1 km/h), Paranapanema (113 km/h) e Itanhaém (111 km/h). Na capital paulista, as rajadas chegaram a 75,3 km/h, e o Corpo de Bombeiros registrou 39 ocorrências de queda de árvores. O Porto de Santos permaneceu paralisado por quatro horas.

Apesar de serem fenômenos distintos, ciclones extratropicais também podem produzir rajadas acima de 103 km/h. Vale ressaltar que a cidade de São Paulo tem um histórico de eventos climáticos intensos que impactam a temperatura e o clima local.

Formação do fenômeno e alertas futuros

A ventania foi resultado do encontro de duas massas de ar: uma quente e seca e outra fria e úmida. O ar mais frio e denso avançou sob a massa de ar quente, gerando um forte contraste térmico e de umidade que propiciou os ventos intensos, conforme explicado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

A velocidade do deslocamento da frente fria também contribuiu para a intensidade do fenômeno. Em Guarulhos, por exemplo, a temperatura caiu de 30°C para 21°C em apenas uma hora. O Cemaden classificou como alta a possibilidade de novos eventos hidrológicos no Rio Grande do Sul, com risco de alagamentos.

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta laranja, o segundo nível mais elevado de severidade, para ventos costeiros em todo o estado de São Paulo e no litoral do Rio de Janeiro ao sul de Cabo Frio. O aviso, que previa ventos intensos e movimentação de dunas, permaneceu válido até o fim da noite. Segundo o Cemaden, não há riscos imediatos de novas ventanias nos estados afetados.