Gigante alemã avalia reduzir gastos de todas as subsidárias em 20%. Fechamento de fábricas não está descartado, diz revista. Tarifas de Trump e concorrência com a China pressionam o grupo automobilístico.A montadora alemã Volkswagen planeja um novo programa de cortes no valor de 60 bilhões de euros (R$ 372 bilhões), segundo reportagem publicada nesta segunda‑feira (16/02) pela revista alemã Manager Magazin.

Citando fontes internas, o artigo afirma que os cortes planejados até 2028 equivalem a 20% dos gastos da empresa e afetam todas as subsidiárias do grupo, que também inclui as marcas Audi, Skoda e Porsche.

O fechamento de fábricas também não está descartado, assim como novos cortes de vagas, diz a reportagem. O CEO Oliver Blume teria apresentado o plano aos 120 principais executivos da companhia em meados de janeiro.

O motivo da medida seria a queda nas vendas na China, concorrência com marcas chinesas e as tarifas impostas pelos Estados Unidos, que tornaram insuficientes os esforços anteriores de corte de custos. A empresa está sob pressão financeira e teve sua perspectiva de crédito do índice americano S&P rebaixado para “negativo” devido ao risco de não cumprimento de metas financeiras.

Em 2024, a gigante automobilística causou comoção ao admitir que poderia encerrar plantas industriais da Alemanha – algo inédito em sua história.

Após acordo firmado com o conselho de trabalhadores no ano passado, porém, a empresa afastou essa hipótese e anunciou um plano para eliminar 35 mil postos de trabalho no país até 2030, o que representa quase 27% de toda a força de trabalho. Os cortes seriam viabilizados mediante acordos de aposentadoria precoce e programas de demissão voluntária.

Não está claro se a economia de 60 bilhões inclui os acordos anteriores ou representa uma nova rodada de ajustes. Em qualquer cenário, a notícia reacendeu o debate sobre o futuro de suas unidades na Alemanha.

Volkswagen diz que já economiza bilhões de euros

A Volkswagen reagiu com cautela à reportagem da Manager Magazin e destacou os programas de economia já em andamento em todas as subsidiárias do grupo. Um porta‑voz afirmou que essas iniciativas já geraram economias na casa dos “dois dígitos de bilhões de euros”.

“Isso permitiu ao grupo amortecer os ventos geopolíticos contrários, como as tarifas nos EUA, e manter o rumo”, disse.

O CEO do grupo, Oliver Blume, deve apresentar um relatório intermediário na coletiva anual de imprensa em 10 de março.

Sindicato rejeita fechamento de fábricas

Em comunicado, o conselho de trabalhadores da empresa argumentou que o artigo parece “mais uma descrição do status dos programas de eficiência que já vêm sendo executados há muito tempo”.

A chefe do conselho, Daniela Cavallo, afirmou estar ciente de que o grupo ainda enfrenta uma situação difícil, mas reiterou que o fechamento de fábricas e demissões compulsórias estão “expressamente descartados” no acordo firmado com a administração.

gq/ra (DPA, ARD)